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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Profª Raquel Rigotto, que estuda os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde humana, fala sobre a gravidade do problema

ENTREVISTA

por Gustavo Colares
Ciência Engajada

O Brasil acostumou-se a vitórias e conquistas no Esporte que dão orgulho a qualquer cidadão brasileiro. Desde 2008, porém, o País é dono de um título nada honroso para quem, já na próxima década, deve ocupar a cadeira da 5ª maior economia do planeta. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), somos a nação que mais consome agrotóxicos e fertilizantes químicos no mundo. É mais de um milhão de toneladas por ano.

Por trás do aquecimento de nossa economia, em que as commodities ocupam lugar de destaque no saldo da balança comercial brasileira, uma realidade nem sempre tangível pelas autoridades: o uso sem medida de agrotóxicos por grandes grupos empresariais e também pequenos agricultores, às vezes esquecidos pelos órgãos que deveriam oferecer capacitação técnica. É o que denunciam ativistas ambientais e pesquisadores como a Profª Raquel Rigotto, do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.


Ela coordena o Núcleo Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade (Tramas), grupo de pesquisa com forte atuação científica e engajada em municípios do interior cearense que recebem grandes empreendimentos industriais. Não foi à toa que o Tramas se envolveu ativamente em estudo sobre os danos da utilização intermitente de agrotóxicos na saúde de trabalhadores e no meio ambiente, depois que José Maria Filho, um dos principais críticos de Limoeiro do Norte ao modelo do agronegócio da Chapada do Apodi, foi morto com 19 tiros nas proximidades do aeroporto de onde saem os aviões para a pulverização dos bananais da região.

Em 2009, Rigotto foi interpelada judicialmente por uma indústria fabricante de fertilizantes, de Maracanaú, por comprovar, numa pesquisa, os males causados à saúde de uma comunidade em virtude da negligência da gestão da empresa em seu sistema de ventilação e exaustão. O apoio das instituições acadêmicas à pesquisadora não tardaria. A Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, o Conselho Nacional de Saúde, o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará, a Conferência Estadual de Saúde Ambiental e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entre outras entidades, se manifestaram publicamente em defesa do saber científico.

A seguir, o leitor conhecerá uma ciência comprometida, sem deixar de lado o rigor da produção de conhecimento. Uma ciência transdisciplinar que encontra as classes sociais mais vulneráveis, procura reaprender os tradicionais saberes construídos e reconhece a interdependência entre a Natureza e os seres vivos. Para Raquel Rigotto, um compromisso pela construção de uma sociedade de fato sustentável, que prima pela justiça socioambiental.

Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.

Para ler outras entrevistas clique nos links abaixo:

Raquel Rigotto: A herança maldita do agronegócio. Por Manuela Azenha
"O uso seguro dos agrotóxicos é um mito".

quarta-feira, 27 de abril de 2011

MOÇÃO CONTRA O USO DOS AGROTÓXICOS E PELA VIDA

V Congresso Brasileiro de Ciências Humanas e Sociais em Saúde

MOÇÃO CONTRA O USO DOS AGROTÓXICOS E PELA VIDA*

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, sendo que grande parte desses produtos já foram banidos por outros países. A liberação comercial desses agrotóxicos implica em contaminação dos ecossistemas, das matrizes hídricas, e atmosférica, produzindo sérios problemas para a saúde no campo e nas cidades. Entidades nacionais como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional vem alertando a Presidência da República sobre essa questão. É urgente e necessário um maior controle, por parte do Estado Brasileiro, no registro de agrotóxicos e ao mesmo tempo dos produtos que não são permitidos no país.

Estudos do campo da Saúde Coletiva evidenciam que o nível e a extensão do uso dos agrotóxicos no Brasil está comprometendo a qualidade dos alimentos e da água para o consumo humano. Neste contexto é importante destacar que o direito a alimentação e nutrição adequada, de acordo com a emenda constitucional 64/2010, está sendo violado. As práticas de pulverização aérea desses biocidas contaminam grandes extensões para além das áreas de aplicação, impactando toda a biodiversidade do entorno, incluindo as águas de chuva.

Um caso recente e emblemático, sobre o papel da saúde coletiva para evidenciar esses impactos, foi o estudo sobre contaminação de leite materno com agrotóxicos no Mato Grosso. Os pesquisadores Wanderlei Pignati e Danielly Cristina Palma, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso, conduziram uma importante pesquisa, com impacto na midia nacional. Infelizmente, esses sanitaristas vem sofrendo pressões de toda a ordem em função da gravidade de seus achados. Isso remete a necessidade de uma reflexão no âmbito da ABRASCO voltadas para a criação de mecanismos que garatam proteção a cientistas que estão sendo ameaçados por grupos de interesses comerciais, nesse caso o agronegócio.

A bancada ruralista e as corporações transnacionais, responsáveis pelo agronegócio e pela indução e ampliação do pacote tecnológico agrotóxicos-transgênicos-fertilizantes também fazem pressão constante sobre os órgãos reguladores no sentido de flexibilizar a legislação.

A Via Campesina lançou com as organizações sociais, academia e instituições de pesquisa, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida no dia 7 de abril de 2011 – Dia Mundial da Saúde. A ABRASCO foi convocada para aderir a essa Campanha, conforme moção aprovada no I Simposio Brasileiro de Saúde Ambiental, realizado em Belem/PA, em dezembro de 2010.

Finalmente, a ABRASCO, reunida em seu V Congresso de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, vem alertar a população e as autoridades públicas responsáveis para a necessidade de medidas emergenciais:

1. Proibir a pulverização aérea de agrotóxicos, tendo em vista a grande e acelerada expansão desta forma de aplicação de venenos, especialmente em áreas de monocultivos, expondo territórios e populações cada vez maiores à contaminação com produtos tóxicos. Estas operações, de questionável e improvável controle da deriva acidental e técnica, vêm sendo realizadas a partir de legislação frágil e precariamente fiscalizada, que fere o direito constitucional ao meio ambiente sadio, e têm resultado em graves impactos sobre a saúde humana e dos ecossistemas em geral, inclusive na produção de chuva contaminada com agrotóxicos e na contaminação de aqüíferos.

2. Suspender as isenções de ICMS, PIS/PASEP, COFINS e IPI concedidas aos agrotóxicos (respectivamente, através do Convênio nº 100/97, Decreto nº 5.195/2004 e Decreto 6.006/2006), tendo em vista seu caráter de estímulo ao consumo de produtos concebidos para serem tóxicos biocidas, que se reflete certamente na colocação do Brasil como maior consumidor mundial de agrotóxicos nos últimos 3 anos; e a externalização para a sociedade dos custos impostos pelas medidas de assistência e reparação de danos, além da recuperação de compartimentos ambientais degradados e contaminados.

3. Elaborar e implementar um conjunto de Políticas Públicas que viabilizem a superação do sistema do agronegócio e a transição para o sistema da Agroecologia, inclusive no que diz respeito ao financiamento, revertendo e resgatando a enorme dívida social e ambiental induzida por políticas que, desde os anos 1970, impõem o financiamento e a compra de agrotóxicos. Tais políticas devem ser construídas em contexto participativo, a partir dos saberes acumulados nas diversificadas experiências em curso da agricultura familiar camponesa no Brasil e seus atores.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Violência do Agrotóxico

O Jornal Brasil de Fato: Uma visão Popular do Brasil e do Mundo, em matéria assinada pelo jornalista Vinicius Mansur do dia 18 de abril denuncia o uso indiscriminado de agrotóxico em uma região de Paraipaba-CE. Abaixo vejam trechos da matéria e de um vídeo que revelam a gravidade da situação.

"Há pouco mais de duas semanas (31/03) a equipe de filmagem do documentário sobre os agrotóxicos, dirigido por Silvio Tendler, estava em Paraipaba, Ceará, cerca de 90 quilômetros a noroeste da capital Fortaleza. Foram investigar as acusações contra a empresa do agronegócio, de origem holandesa, Companhia Bulbos do Ceará (CBC), por uso indiscriminado de agrotóxicos".

"Em fevereiro, a Justiça do Ceará havia deferido liminar proibindo o uso de veneno pela CBC. Entre as explicações estão coceira na pele e problemas respiratórios na comunidade local, a provável contaminação da lagoa da Cana Brava - a 100 metros da fazenda e principal reservatório de água que abastece o município – além da morte, por contaminação comprovada em laboratório, de 18 cabeças de gado do agropecuarista Henry Romero".

"Na manhã seguinte à visita da equipe de filmagem, 15 animais de seu Henry apareceram doentes – alguns agonizantes, como mostram vídeos gravados pelo agropecuarista, sob orientação do Ministério Público. Até o fechamento desta matéria, 12 já haviam morrido".



Para ver a matéria completa clique aqui.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

FAFIDAM torna-se palco das discussões sobre o uso abusivo de agrotóxicos

Os problemas ambientais advindos do uso abusivo e criminoso de agrotóxicos pelas grandes empresas do agronegócio no Brasil é um dos grandes problemas da sociedade brasileira contemporânea.

O Vale do Jaguaribe e a Chapada do Apodi são "espaços ecológicos" que sofrem concretamente as ações criminosas do agronegócio, que trazem graves problemas socioambientais, além de contarem com generosos contribuições dos governos estadual e federal, através de "incentivos fiscais" e empréstimos do BNDES, Banco do Brasil e BNB.

Desde ontem, setores da sociedade civil organizada estão reunidos em Limoeiro do Norte-Ce, para discutir o uso abusivo dos agrotóxicos na região e os impactos ambientais produzidos pelos empresários do agronegócio no Ceará e Rio Grande do Norte. A FAFIDAM tem sido uma parceira importante nestas mobilizações, apoiando as lutas populares e abrindo suas portas para que essas questões sejam debatidas pela comunidade.

A Profª Raquel Rigotto (UFC),  e sua equipe apresentaram os resultados das pesquisas que vem realizando na região da Chapada do Apodi sobre os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde humana.

Confiram a Programação do Evento Aqui.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

“TUDO DE MAIS É VENENO”. E VENENO DEMAIS...?

Confira as notícias do Jornal Chapada do Apodi, que trata da Campanha Nacional contra o Uso Abusivo de Agrotóxicos e a situação das comunidades rurais de Limoeiro do Norte e Quixeré, vítimas do uso abusivo de agrotóxicos pelas empresas do agronegócio na Chapada do Apodi. Clique Aqui.


Confira a programação do evento. Clique aqui

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Campanha Nacional Contra o Uso de Agrotóxicos e pela Vida - Material de Divulgação


Folder das Mobilizações de Um Ano do Assassinato de Zé Maria do Tomé. Para acessar clique aqui.
Panfleto do Lançamento da Campanha Permanente contra o Uso de Agrotóxicos e pela Vida. Clique Aqui.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Agrotóxicos e Código Florestal mobilizam Brasília

Cerca de três mil manifestantes, entre integrantes de movimentos sociais e sindicais do campo e organizações ambientalistas, realizaram um dia de protestos, audiências e atividades públicas em Brasília na quinta-feira (07) para protestar contra o projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de alteração do Código Florestal, sustentado pelos ruralistas, e lançar a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida.

Em marcha, os manifestantes partiram do pavilhão de exposições do Parque da Cidade rumo ao Congresso Nacional pela manhã. Durante o trajeto, uma comissão formada por integrantes da Via Campesina, Fetraf e entidades ambientalistas foi recebida em audiência pela ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira. Na reunião, os militantes apresentaram à ministra parte de um documento sobre o Código que esmiúça os pontos mais críticos do projeto encomendado pelos ruralistas e apresenta uma proposta de aprimoramento do texto. O documento foi lançado oficialmente ontem, terça-feira (12), no Congresso Nacional.

Texto extraído do Jornal Brasil de Fato. Para ver a matéria completa clique aqui.